Desta vez entrevisto o jornalista Lúcio de Castro. Formado em História e Jornalismo. Conquistou os principais prêmios de jornalismo: Embratel (2003 e 2006), TV Globo (2005,2006 e 2009) Anamatra Direitos Humanos 2009, Prêmio Direitos Humanos MJDH/OAB 2008 e 2010, Ibero-Americano (UNICEF-EFE) Fundación Nuevo Periodismo (dirigida por Gabriel Garcia Márquez) e Vladimir Herzog (2011). Hoje é do time da ESPNbrasil. Participa do Bate Bola 1ª edição.
Vejamos a entrevista:
Entrevista:
- A copa do mundo de futebol vem sofrendo modificações com o passar dos tempos e modificando suas estruturas; tanto esportivas, quanto financeiras. Então como poderia ser definida a Copa do Mundo de Futebol?
- Sediar uma competição como uma Copa envolve muitas questões políticas, financeiras, esportivas e sociais. Você acredita que a nossa sociedade – em todos os níveis (político, financeiro, esportivo e social) – esteja preparada para tal experiência?
- Ao pensar se o evento será positivo ou negativo para o país, temos que pensar numa ordem: pré, durante e pós. O pré Copa é o que estamos vivendo, com construções de estádios, promessas dos comandantes. O durante, hoje, é discutido como, por exemplo: venda de bebida alcoólica, conflitos entre a lei brasileira e as regras da FIFA. O pós talvez seja a maior preocupação de todos os cidadãos, tendo em vista o exemplo do Pan e também como esse enorme montante de dinheiro gasto será recuperado ou reinvestido. Como então andam em sua opinião essa ordem? Assim o evento tende a ser positivo ao país ou não?
- O discurso de políticos e principalmente o sentimento que se ouve muitas vezes nas ruas, é de que finalmente o país do futebol receberá uma Copa. Duas questões me aparecem como fundamentais em cima desse comentário: Será que ainda somos o país do futebol, aliás será que um dia fomos? E será que uma Copa do mundo é suficientemente importante para afirmar um sentimento como este?
Acho que sempre teremos o futebol como parte da nossa alma e identidade. O que não quer dizer que não estejamos precisando reformular conceitos dentro das quatro linhas. Urgentemente. E a copa, no meu entender, não tem importância para afirmar o que está no DNA do povo brasileiro.
- O futebol brasileiro vem crescendo nos últimos anos. Uma Copa do mundo ajuda ou atrapalha esse crescimento dos clubes?
Acho que a questão primordial para o crescimento dos clubes será cada vez mais a transparência da gestão e a fiscalização dos atos dos dirigentes, coisas que parecem cada dia mais distantes.
- A CBF é uma instituição primordialmente interessada nas questões do futebol brasileiro. Não é isso que vemos. Cada vez mais o futebol brasileiro está sem comando. O que fazer? Como saímos dessa situação?
Tem a ver com a última questão e me parece que a mobilização da opinião publica move os órgãos e mecanismos de fiscalização da sociedade. Mesmo sendo uma entidade privada, a CBF e de interesse publico e não esta acima da lei e deste interesse publico.
- No seu último post – 15/12/11 – esclareceu-nos sobre algumas questões da ocupação da favela da Rocinha. Uma sociedade que vive tais problemas tem condições de sediar uma Copa? E mais tem condições de gastar aproximadamente R$ 5.831.100.000 só em construção de estádios? Ou todos esses valores que estão tentando nos impor estão distorcidos?
Penso que é grave demais constatar que em um país onde tanta coisa tem que ser feita ainda os desmandos e verbas gastas sem explicação prosseguem e se agravam com a Copa, que poderia ter benefícios ao povo, desde que com uma gestão transparente e sem os caprichos elitistas da FIFA.
- A nossa sociedade está colapsada, vide a quebra crises econômicas, de países como Grécia e Espanha, e principalmente revoltas sociais e políticas. Será que é normal continuar gastando-se tanto com um evento esportivo?
A experiência de alguns países que sediarão grandes eventos e tiveram grandes problemas econômicos depois preocupa e indica que não.
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