10/03/2012

Copa do Mundo 2014 - 2ª Entrevista - Lúcio de Castro


     Desta vez entrevisto o jornalista Lúcio de Castro. Formado em História e Jornalismo. Conquistou os principais prêmios de jornalismo: Embratel (2003 e 2006), TV Globo (2005,2006 e 2009) Anamatra Direitos Humanos 2009, Prêmio Direitos Humanos MJDH/OAB 2008 e 2010, Ibero-Americano (UNICEF-EFE) Fundación Nuevo Periodismo (dirigida por Gabriel Garcia Márquez) e Vladimir Herzog (2011). Hoje é do time da ESPNbrasil. Participa do Bate Bola 1ª edição. 



Vejamos a entrevista: 



Entrevista: 

  •  A copa do mundo de futebol vem sofrendo modificações com o passar dos tempos e modificando suas estruturas; tanto esportivas, quanto financeiras. Então como poderia ser definida a Copa do Mundo de Futebol?  

         
Analisando sob o ponto de vista esportivo, para mim segue sendo o momento maior do futebol, com o perdão do lugar comum. Respeito a analise de muitos de meus colegas, que acreditam ter a copa perdido um pouco do seu peso em razão da força que a Champions League ganhou ultimamente. Mas quem eterniza, transforma homens em mitos ainda é a Copa do Mundo.
 
 
  •   Sediar uma competição como uma Copa envolve muitas questões políticas, financeiras, esportivas e sociais. Você acredita que a nossa sociedade – em todos os níveis (político, financeiro, esportivo e social) – esteja preparada para tal experiência?  
          
Acho que sim. Claro que ainda existe muito a aprimorar, principalmente no sistema político, na fiscalização, mas a sociedade brasileira em si e hoje a força de um país que nos últimos 50 anos saltou de uma nação rural para uma das maiores economias do mundo, ainda que a distribuição de renda seja ainda profundamente injusta.
 
 

  •  Ao pensar se o evento será positivo ou negativo para o país, temos que pensar numa ordem: pré, durante e pós. O pré Copa é o que estamos vivendo, com construções de estádios, promessas dos comandantes. O durante, hoje, é discutido como, por exemplo: venda de bebida alcoólica, conflitos entre a lei brasileira e as regras da FIFA. O pós talvez seja a maior preocupação de todos os cidadãos, tendo em vista o exemplo do Pan e também como esse enorme montante de dinheiro gasto será recuperado ou reinvestido. Como então andam em sua opinião essa ordem? Assim o evento tende a ser positivo ao país ou não?  
 
      É uma boa questão. Uma coisa é a sociedade estar pronta, a outra é se o evento é positivo. De uma maneira geral, estamos vendo gastos injustificados, estádios que irão virar elefantes brancos e nenhum legado para o povo, seja na mobilidade urbana ou em obras estruturais.
 
 
  •  O discurso de políticos e principalmente o sentimento que se ouve muitas vezes nas ruas, é de que finalmente o país do futebol receberá uma Copa. Duas questões me aparecem como fundamentais em cima desse comentário: Será que ainda somos o país do futebol, aliás será que um dia fomos? E será que uma Copa do mundo é suficientemente importante para afirmar um sentimento como este?     

             Acho que sempre teremos o futebol como parte da nossa alma e identidade. O que não quer dizer que não estejamos precisando reformular conceitos dentro das quatro linhas. Urgentemente. E a copa, no meu entender, não tem importância para afirmar o que está no DNA do povo brasileiro.
 

  •  O futebol brasileiro vem crescendo nos últimos anos. Uma Copa do mundo ajuda ou atrapalha esse crescimento dos clubes?  
 
         Acho que a questão primordial para o crescimento dos clubes será cada vez mais a transparência da gestão e a fiscalização dos atos dos dirigentes, coisas que parecem cada dia mais distantes.
 
  •  A CBF é uma instituição primordialmente interessada nas questões do futebol brasileiro. Não é isso que vemos. Cada vez mais o futebol brasileiro está sem comando. O que fazer? Como saímos dessa situação?  
 
         Tem a ver com a última questão e me parece que a mobilização da opinião publica move os órgãos e mecanismos de fiscalização da sociedade. Mesmo sendo uma entidade privada, a CBF e de interesse publico e não esta acima da lei e deste interesse publico.
 

  •  No seu último post – 15/12/11 – esclareceu-nos sobre algumas questões da ocupação da favela da Rocinha. Uma sociedade que vive tais problemas tem condições de sediar uma Copa? E mais tem condições de gastar aproximadamente R$ 5.831.100.000 só em construção de estádios? Ou todos esses valores que estão tentando nos impor estão distorcidos?  

          Penso que é grave demais constatar que em um país onde tanta coisa tem que ser feita ainda os desmandos e verbas gastas sem explicação prosseguem e se agravam com a Copa, que poderia ter benefícios ao povo, desde que com uma gestão transparente e sem os caprichos elitistas da FIFA.
 

  •  A nossa sociedade está colapsada, vide a quebra crises econômicas, de países como Grécia e Espanha, e principalmente revoltas sociais e políticas. Será que é normal continuar gastando-se tanto com um evento esportivo?  
 
          A experiência de alguns países que sediarão grandes eventos e tiveram grandes problemas econômicos depois preocupa e indica que não. 

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