02/10/2012

Ratos e urubus, larguem meu futebol


O texto de hoje é um manifesto contra o politicamente chato no futebol. 

 Curtam também o samba da Beija-Flor de 1989 ao qual a crônica faz menção! 


Sapucaí, em 1989 quando a Beija-Flor passou

Leia e responda: O que você acha?



O título é uma adaptação de um dos melhores sambas da história do carnaval carioca, Ratos e urubus, larguem minha fantasia (Beija-Flor, 1989). Também se faz presente em uma faixa no Pico, aglomerado de casas no alto do Santa Marta, com "Ratos e urubus, larguem meu Santa Marta", em protesto a remoção que o governo da cidade pretende fazer. No quão politicamente correto - e chato - os poderosos querem transformar o futebol? Não bastasse as entrevistas coletivas e respostas pragmáticas dos jogadores e cartolas, a negação da comemoração do maior momento do esporte, agora querem censurar a torcida e os jogadores.

No episódio mais antigo, vimos a suspensão de Loco Abreu. Depois de responder a torcida do flamengo - diga-se de passagem, sem grosseria nenhuma - num jogo em Santa Catarina, o uruguaio foi suspenso por uma partida. Não, odeio saudosismo, até porque nem tive idade para ver o auge dos fanfarrões Renato Gaúcho, Romário, Edmundo, Túlio Maravilha e outros que se destacaram pelas declarações e falta de papas na língua. Mas me incomodo mais com a , desculpe o termo, cagação de regras que permeia o futebol atualmente.

Na semana que se passou tivemos dois casos envolvendo a arbitragem. Na série B, Marcelo de Lima Henrique, e nos Aflitos, Leandro Vuaden, se recusaram a dar início a partida devido a protestos da torcida contra os homens do apito brasileiro. Não pode vaiar, não pode protestar...teremos que parar de xingar?  O torcedor, a partir do momento que compra o ingresso, tem o direito de agir da maneira que quiser, desde que não haja violência e intolerância racial, sexual e de qualquer outra dimensão. Porque? Simples, o futebol é a válvula de escape de milhões de pessoas que acordam às 4 da manhã e trabalham como nunca para poder comprar pão.

Ópio do povo? Ignorância e, desculpe mais uma vez, cagação de regras de quem se considera acima de qualquer um. O esporte é um âmbito da vida, importantíssimo, tal como educação, economia, politica, religião, amor e etc. Ele é inerente ao homem e portanto é necessário. Voltando ao assunto: daqui há algum tempo será proibido o jogador levantar os braços, sorrir ou abraçar os companheiros após um gol?

Deixemos o futebol ser o que é. Ele não precisa de mais nada, pois já existe e é perfeito. O usemos contra a violência, o racismo, a pobreza, a injustiça, mas não como limitador do sentimento humano. Viva o palavrão vindo das arquibancadas, viva os protestos, viva o incompreensível do ódio ao amor em 2 minutos e vice-e-versa. Viva e deixe viver o futebol.


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